Perguntas e respostas

02. Como este procedimento funciona? Nós sempre fomos informados que a posição da caixa torácica não pode ser alterada sem cirurgia, porque pectus é uma combinação de excesso de osso e cartilagem infundidos em um estado sólido.

Nicolas Andry, o homem considerado o "Pai da Ortopedia", em seu livro L’orthopédie ou l’art de prev’enir et de corriger dans les enfants, les difformités du corps, publicado em Paris em 1741, observou que deformidades dos membros podiam ser corrigidas através de métodos conservadores de tratamento. Mais tarde, Julius Wolff descreveu aquilo que passou a ser aceito como uma lei na Ortopedia: "o tecido ósseo é uma estrutura dinâmica, que pode ser remodelada de acordo com as forças externas que atuam sobre o mesmo".

O que temos feito é utilizar estes conceitos para corrigir as deformidades pectus. Apesar de serem sólidos, osso e cartilagem são substâncias vivas que têm capacidade de remodelação. Quanto mais jovem o indivíduo, maior seu potencial de remodelação osteocartilaginosa, mas esta remodelação ocorre durante toda a vida.

A ossificação endocondral e placas de crescimento no esterno e costelas são também conceitos que têm importante implicações para a abordagem correta das deformidades pectus. Temos prestado atenção ao fato de que ossos e cartilagens da parede torácica anterior também sofrem os efeitos da Lei de Wolff e que a presença de flexibilidade permite o uso de forças externas para melhorar ou curar uma deformidade pectus.

Forças corretivas podem mudar a história de stress dos tecidos esqueléticos, alterando de forma benéfica os padrões subsequentes de crescimento e ossificação. Assim, utilizamos forças externas para modificar o crescimento e promover a remodelação de estruturas deformadas da parede torácica anterior.

Tal opção terapêutica, baseada em princípios ortopédicos, tem sido provada e comprovada como efetiva em pacientes com deformidades flexíveis. Assim, utilizamos a combinação de forças externas (órteses) e internas (aumento da pressão intratorácica, pelos exercícios em uso das órteses) para modificar o crescimento e promover a remodelação de estruturas deformadas da parede torácica anterior.

Um exemplo desta remodelação é mostrada na Figura abaixo. A deformidade deste paciente aconteceu após cirurgia cardíaca aos 2 anos de idade (veja publicação na nossa secção Bibliografia). Ele foi tratado pelo nosso método – órtese + exercícios – dos 9 aos 17 anos de idade (1994 a 2002).


1994
Frente Lado direito Lado esquerdo

 


2002
Frente Lado direito Lado esquerdo
 

01. O que são as deformidades pectus e quais as suas causas?

O termo pectus é internacionalmente usado para designar as deformidades da parte da frente do tórax, deformidades estas popularmente conhecidas como "peito de pombo" (pectus carinatum) e "peito de sapateiro" (pectus excavatum). Elas são bastante frequentes, mas permanecem escondidas da sociedade porque seus portadores têm vergonha do aspecto de seu tórax, evitando roupas e atividades que deixem o problema perceptível.

Em 1990/91 um experimento conduzido por Haje e colaboradores resultou, pela primeira vez na história da medicina (vide artigo), em deformidades pectus em animais, sugerindo um crescimento desproporcional entre o esterno (osso da frente do tórax) e os arcos costais (cartilagens costais e costelas) como causa dessas deformidades.

Clinicamente, cerca de 5000 pacientes já foram observados por Haje de 1977 a 2012. Como as deformidades pectus são variadas e muitas vezes esteticamente diferentes entre si, mas com uma causa comum – a desproporção no crescimento dos ossos e cartilagens da parede torácica anterior (veja artigo) – elas podem ser consideradas uma síndrome*. Características comuns estão frequentemente presentes em sua patogênese: hereditariedade, distúrbios respiratórios como bronquite, asma, pneumonia, rinite alérgica e sinusite, desvios na coluna vertebral como escolioses e/ou cifoses torácicas exacerbadas e, principalmente, um perfil psicológico comum, que se agrava quando o jovem entra na adolescência e a deformidade piora naturalmente pelo crescimento do indivíduo e agravamento da desproporção entre os ossos e cartilagens do tórax. O efeito psicológico negativo sobre a pessoa portadora é muitas vezes devastador e este impacto nem sempre é relacionado com a severidade da deformidade. Sentimentos de frustação tendem a aumentar quando jovens pacientes e seus pais recebem sugestão de aceitar o problema ou apenas tentar uma solução cirúrgica.

* Síndrome não é doença, é uma condição médica. Síndrome é o grupo ou agregado de sinais e sintomas associados a uma mesma patologia e que, em seu conjunto, definem o diagnóstico e o quadro clínico de uma condição médica.

 

03. De que formas elas podem ocorrer e o que acontece se não forem tratadas?

A imensa maioria das deformidades pectus (99%) ocorre na forma IDIOPÁTICA, isto é, ocorre sem uma patologia prévia, sendo frequentemente associada a hereditariedade. As outras formas, bem menos comuns, são a PATOLÓGICA, que ocorre na presença de doenças que têm associação com distúrbios de crescimento de uma forma geral, como síndrome de Marfan, displasias ósseas, raquitismo, osteogenesis imperfecta, etc, e a IATROGÊNICA, que pode acontecer após ação médica em cirurgia cardíaca pediátrica devido a lesão e ao desarranjo anatômico das placas de crescimento esternais. Geralmente não há comprometimento de orgãos internos, mas o envolvimento psiquíco pode agravar-se na adolescência. Deformidades pectus deixadas sem tratamento podem piorar com o crescimento do indivíduo. Alguns exemplos de piora de deformidades não tratadas são mostrados abaixo.

priora pectus - Orthopectus

priora pectus - Orthopectus

priora pectus - Orthopectus
 

04. Como podem estas deformidades ser tratadas? Qual o tempo de duração de seu tratamento?

Nas décadas de 1950 e 1960, a literatura informava que a cirurgia era a única opção de se tratar estas deformidades, e que qualquer tentativa de tratamento conservador era considerada ineficaz. Questionamentos e críticas a resultados cirúrgicos passaram a surgir a partir da década de 1970, com descrições de complicações como diminuição da função pulmonar, cicatrizes extensas, quelóides, resultados ruins em longo prazo, e até mesmo morte, além de críticas à multiplicidade de técnicas cirúrgicas existentes (+ de 40). Relatos de métodos conservadores começaram a aparecer a partir de 1969. Lange e Müller descreveram aparelhos ortopédicos ou órteses munidos de um cinturão envolvendo o tórax como eficazes em crianças de baixa idade. Apesar do esterno ser ligado à coluna vertebral pelos arcos costais, a ortopedia contemporânea tem prestado atenção quase que exclusivamente à parte posterior do tronco, ou seja, à coluna vertebral. Apenas em 1993, Mielke e Winter dos Estados Unidos descreveram um único caso de pectus carinatum tratado com sucesso, em uma adolescente, através de um colete gessado seguido de correias que envolviam o tórax.

Por outro lado, desde 1979 Haje e colaboradores tem publicado vários trabalhos em revistas médicas no Brasil e no exterior mostrando bons resultados com a utilização de uma órtese denominada Compressor Dinâmico de Tórax (CDT). Existem duas variações da órtese: O CDT 1, que é normalmente utilizado para o pectus carinatum, e o CDT 2, por nós criado em 1988 para o pectus excavatum. Tipos mistos de pectus (vide próxima questão) podem requerer a utilização simultânea de um CDT 1 e de um CDT 2. Associamos ao uso simultâneo da(s) órtese(s) a prática de exercícios contra-resistência ou contra-gravidade e que promovam um aumento da pressão intratorácica. Denominamos este método de método Dinâmico de Remodelação do tórax (método DR) e o mesmo é baseado na lei da remodelação óssea descrita na resposta da questão 1. Essa abordagem é, portanto, exclusivamente NÃO-CIRÚRGICA! É uma abordagem CONSERVADORA de longo prazo, pelo uso de órteses (aparelhos ortopédicos) e exercícios. É um método que, de uma maneira natural, segura e fisiológica, pode levar a bons ou ótimos resultados em um, dois ou mais anos – dependendo de como o paciente siga instruções apropriadas ao mesmo (ver PROTOCOLO na questão 14).

 

05. Quais são os tipos de deformidades pectus?

Classificamos o Pectus Carinatum de acordo com o ápice da protrusão em três tipos básicos: Superior (PCS), Inferior (PCI) e Lateral (PCL). O Pectus Excavatum, aquele com depressão do esterno (osso central da parte da frente do tórax), é classificado em tipos: Amplo (PEA, ou do inglês "Wide", PEW) e Localizado (PEL). (Veja figura abaixo).

Tipos MISTOS, como PCL+PEL, PCS+PEL, PCL+PCS+PEL, etc, podem acontecer. Protrusão ou saliência dos rebordos costais (partes inferiores das costelas próximas ao abdome) também são bastante comuns e ilustram a desproporção entre o crescimento do esterno e costelas (ver causas das deformidades na resposta da questão 2).



 

06. Esta técnica pode ser usada para corrigir qualquer severidade de pectus?

A FLEXIBILIDADE da parede torácica anterior é mais importante do que a severidade da deformidade para prognóstico do tratamento usando o nosso método. A avaliação da flexibilidade das deformidades pectus carinatum é feita pelo teste da compressão manual: a área protrusa do tórax é comprimida com a palma de uma das mãos, enquanto a coluna torácica é apoiada pela outra mão; se uma redução parcial ou completa é observada, a deformidade é considerada flexível. A avaliação da flexibilidade das deformidades pectus excavatum, é feita pelo teste de aumento da pressão intratorácica: com o paciente em pé, instrua-o a inspirar profundamente e, a seguir, simular um sopro sem deixar que o ar saia de seus pulmões; simultaneamente, o examinador faz compressão manual sobre as saliências dos rebordos costais antero-inferiores. Se uma melhora da depressão é notada, a deformidade é considerada flexível. O tratamento pode ser usado para corrigir, parcial ou totalmente, qualquer severidade de deformidade dependendo da flexibilidade, do uso correto da órtese, da execução rotineira dos exercícios, do seguimento das instruções e dos ajustes na órtese durante o tratamento. Não é o simples uso de uma órtese que melhora uma deformidade da parede torácica anterior e consolida a correção obtida; é o tratamento feito com uma avaliação inicial e supervisão médica experientes, pois pode levar muitos meses ou até mesmo anos para uma correção ser considerada estável.

 

07. A deformidade pode retornar após este tratamento?

Nosso método de tratamento se assemelha aos tratamentos ortodônticos: aparelhos dentários nunca são usados por apenas dois ou três meses. Então, o paciente portador de uma deformidade pectus não pode ser iludido que sua deformidade, por mais simples que pareça, vá se resolver em dois ou três meses. Dificuldades iniciais são previstas. Por isso, sempre fazemos um plano anual de acompanhamento. Dependendo da idade, do tipo e da flexibilidade da deformidade, e, principalmente, de como o paciente executa as instruções médicas, uma correção estável e permanente com nosso método Dinâmico de Remodelação do tórax (método DR) pode durar um, dois ou mais anos. No início recomendamos ao paciente que use a(s) órtese(s) o máximo possível, inclusive para dormir. Desta maneira ele se acostuma com a presença da órtese e o progresso do tratamento é mais eficiente. À medida que se nota uma melhora estável, uma liberação gradual do tempo de uso, sob supervisão médica, é autorizada.   A liberação abrupta e sem supervisão médica, com poucos meses de tratamento, implica em grande chance de recidiva de uma correção previamente obtida. Por outro lado, o paciente que faz a descontinuidade gradual do tempo de uso da órtese, sob uma supervisão e orientação médica adequadas, normalmente tem uma correção estável e definitiva. O grau de melhora e o tempo para obtenção de uma correção estável dependem da maneira em que o paciente segue ou não as instruções médicas. Exemplo de um adolescente que iniciou tratamento em janeiro de 2005 e foi obediente a essas regras de tratamento correto, e que recebeu alta com 2 anos e 8 meses de tratamento, é mostrado na figura 9 da seção Casos Tratados deste site. Ele foi completamente liberado do uso de qualquer órtese um ano e quatro meses antes da última foto (Dez 08) e nenhuma recorrência foi observada.

 

08. Qual o período da vida ideal para se tratar uma deformidade pectus por este método?

PCS: infância. Outros tipos de deforrmidade pectus: pré-adolescência ou adolescência – veja tipos de deformidades na questão 5. As deformidade pectus ocorrem devido a distúrbios na formação e no crescimento dos ossos e cartilagens da parede torácica anterior e, geralmente, pioram com o crescimento do indivíduo. Veja exemplos de piora de cada tipo de deformidade sem tratamento, em diferentes fases do periodo de crescimento, na questão 3.

Para o PECTUS CARINATUM, normalmente o periodo ideal para se iniciar as órteses Compressor Dinâmico de Tórax (CDT) é durante a adolescência (de 12 a 14 anos para meninos e 11 a 13 anos para meninas). Alguns casos podem ter o tratamento iniciado mais cedo, dependendo do JULGAMENTO CLÍNICO sobre a severidade e flexibilidade da deformidade, tipo de deformidade e distúrbios respiratórios associados.  Temos observado melhora de distúrbios respiratórios, como Asma, depois de tratamento com órteses CDT. Para o Pectus Carinatum Superior / PCS (vide tipos de deformidade na questão 5), que normalmente apresenta uma protrusão rígida pela fusão prematura das cartilagens de crescimento do esterno (ver exemplo de progressão de PCS na INFÂNCIA na resposta da questão 3), sempre recomendamos início da órtese na infância, entre os 4 e 8 anos de idade. Apenas para alguns poucos casos de deformidade muito severa de todos os tipos de carinatum ou deformidades mistas iniciamos tratamento por volta dos 3 ou 4 anos de idade. Uma criança nova normalmente tolera bem muito bem uma órtese construída de maneira apropriada para sua deformidade. Uma órtese original pode durar 2 ou 3 anos (ajustes são normalmente necessários). Com o crescimento da criança uma nova órtese pode se fazer necessaria. Se alguma deformidade recidivar na adolescência, uma nova órtese, adaptada à deformidade residual, terá que ser novamente utilizada.

Para crianças muito novas com PECTUS EXCAVATUM, o sopro de balões e a natação nos estilos costas, livre (crawl) e peito, são recomendados para manter ou melhorar a flexibilidade da caixa torácica. Para bebês com Pectus Excavatum e saliências de rebordos costais, exercícios passivos por pressão digital intermitante das saliencies podem ajudar. – P.S. Pressão digital = pressão feita pelos polegares. Intermitente = em intervalos curtos de tempo, com períodos de interrupção da atividade (a cada 5 ou 10 segundos). A pressão dos polegares sobre as saliências costais deve ser suficiente para deprimir tais saliências. Pode-se repetir quantas vezes a criança tolerar (normalmente 10, 20 ou 30 vezes por dia). O melhor momento para se fazer isto é após o banho, enquanto se seca o bebê e se brinca com ele.

Para o pectus EXCAVATUM nossa experiência mostra melhores resultados quando o método completo que preconizamos (órteses+exercícios) é iniciado na pré-adolescência e continuado pela adolescência. Para as crianças bem novinhas, ensinar a fazer bolhas com um canudinho numa pequena quantidade de líquido (leite, suco ou refrigerante) pode ser o primeiro passo para o aprendizado do exercício de sopro. O sopro de balões, associado à compressão manual simultânea de áreas salientes do esterno e/ou costelas, além de exercícios de fortalecimento de musculatura abdominal e aprendizado de natação nos estilos livre (crawl), costas e peito, pode ser tudo que uma criança necessite para chegar à pré-adolescência ou adolescência com uma deformidade minimizada, flexível e que possibilite uma resposta ideal ao uso da órtese CDT naquela etapa da vida, associada à execução de exercícios de maior intensidade, como alguns exercícios de musculação (em especial os realizados no aparelho peck-deck).

O Centro Clínico Orthopectus está às ordens para avaliação clínica de seu(sua) filho(a) em qualquer idade, e, caso não seja recomendado início imediato do tratamento completo (órtese+exercícios), orientamos exercicios apropriados para a faixa etária e fazemos documentação fotográfica para acompanhamento, visando início do tratamento em momento oportuno. A indicação para início do tratamento pode acontecer na primeira consulta.

 

09. Cirurgia ou o método DR? É possível uma interação?

Não recomendamos cirurgia para crianças pelo risco de lesão das placas cartilaginosas de crescimento dos ossos da parede torácica anterior (esterno e costelas), o que normalmente faz deteriorar com o tempo um resultado inicial aparentemente bom. Também encontramos os seguintes relatos desencorajadores na literatura médica: "Mais de 40 técnicas operatórias diferentes têm sido descritas para o pectus excavatum" (Isakov et al) "indicando que o método ideal ainda não foi descoberto" (Haje). "As técnicas operatórias são controversas e um resultado perfeito não é obtido, qualquer que seja a técnica empregada" (Heydorn et al). "Cirurgiões que reconhecem o aumento de resultados ruins à medida que seus pacientes ficam mais velhos tendem a abandonar a técnica que usaram e a procurar uma melhor" (Humphreys and Jaretzki). "Maus resultados ocorrem em crianças que são operadas antes dos 12 anos de idade" (Milovic and Oluic), e "resultados ruins em longo prazo" (Humphreys and Jaretzki) têm sido relatados sem qualquer explicação do por que destes maus resultados (ver 1º exemplo mostrado abaixo). “Não se encontra na bibliografia atual da cirurgia torácica nenhuma referência às placas de crescimento do esterno e das cartilagens costais, e as operações podem estar produzindo distúrbios de crescimento secundários" (Haje). Outros relatos da literatura incluem uma diminuição da capacidade pulmonar no pós-operatório.

No 2º exemplo mostrado abaixo, um paciente adulto portador de pectus excavatum é visto. Ele foi submetido a duas cirurgias plásticas alguns anos antes das fotos: uma para colocar silicone e outra para retira-lo. Ele nos informou que a retirada ocorreu por não ter tolerado o peso do material.

Exemplos de resultados cirúrgicos ruins a longo prazo:

Adolescente após um ano de cirurgia osteocartilaginosa corretiva para pectus excavatum. Observe a cicatriz longitudinal.

Total recorrência aconteceu após poucos meses.
Adulto de 42 anos de idade, cinco anos após cirurgia plástica para correção de pectus excavatum. Aspecto do tórax após remoção de silicone subcutâneo.

NOTA: Os resultados acima não expressam os resultados de todas as cirurgias. São exemplos de algo que pode acontecer.

INTERAÇÃO: Nosso procedimento conservador, o método Dinâmico de Remodelação (DR) do tórax, que associa a prática de EXERCÍCIOS ao uso de órteses, é uma opção fisiológica de tratamento, levando inclusive a uma melhora do condicionamento físico e da saúde do paciente em tratamento. Para pacientes que já foram submetido a tratamento cirúrgico e tiveram recorrência, nosso método pode ajudar, desde que corretamente aplicado. Nosso método pode certamente ajudar pacientes com pectus excavatum que não tiveram correção das saliências dos rebordos costais com a cirurgia. Interação também pode ocorrer se o objetivo for obter mais flexibilidade da parede torácica anterior para facilitar uma abordagem cirúrgica. Em Testemunho, na seção Video/Testemunhos deste site, pode-se ver exemplo de um bom resultado cirúrgico em longo prazo para um paciente adulto que primeiro obteve melhora das saliências de rebordos costais e um aumento da flexibilidade de seu pectus excavatum pelo método DR. Por outro lado, na seção Casos Tratados (caso 16) pode-se ver exemplo de um paciente que chegou a um resultado questionável com cirurgia, mas que obteve um resultado muito bom com o método DR posteriormente.

 

10. O método Dinâmico de Remodelação (DR) do tórax pode ser aplicado em adultos?

Sim. Há necessidade de se fazer os testes de flexibilidade para checar se a deformidade é flexível. Se tiver alguma flexibilidade, ela pode ser tratada pelo método Dinâmico de Remodelação do tórax (método DR). Somente 5% de nossos pacientes são adultos (começamos a tratar adultos a partir do final dos anos 90).

Nossa experiência mostra que o tratamento pelo método DR das deformidades pectus (órteses CDT + exercícios) é mais difícil em adultos do que em adolescentes, mas não é impossível. Assim como os aparelhos ortodônticos, que só eram utilizados em crianças e adolescentes no passado, e hoje vemos o uso dos mesmos em um grande número de adultos, o uso das órteses CDT só era aconselhado para crianças e adolescentes, mas com o tempo, atendendo a vontade de adultos dispostos a se tratar, passamos a prescrevê-las também para adultos, observando bons resultados naqueles pacientes com disposição para execução do tratamento: uso da órtese + exercícios por período prolongado.

Muito sacrifício parece ser necessário para um adulto seguir adiante com o tratamento, mas quando isto acontece, o paciente se sente realmente recompensado. Muitas vezes, o adulto não tem a deformidade muito flexível, mas pelo seguimento intensivo das instruções pode ganhar inicialmente flexibilidade e posteriormente correção. Vide exemplos de adultos tratados, inclusive de nosso paciente mais idoso, de 49 anos, ao final da seção "Casos Tratados" deste site.

Esse paciente nos informou que ele havia passado por uma transformação um tanto quanto dolorosa, mas que havia “limpado” a frustação e vencido o preconceito que ele havia enfrentado por toda a vida, e que, a partir de então, ele sentia-se como que “nascendo de novo”. O testemunho de um paciente adulto também pode ser encontrado na seção ‘Video/Testemunhos’ deste site.

Nossa taxa de sucesso (resultados bons ou excelentes) para adultos é de 27%. Isso significa que 27% de nossos pacientes adultos são colaboradores, utilizando a(s) órtese(s) e realizando os exercícios como instruídos. Para adolescents a taxa de resultados bons ou ótimos é de 62%. Acreditamos que os motivos para menor taxa de sucesso terapêutico em adultos sejam a menor flexibilidade torácica e capacidade de remodelação óssea, ao lado de compromissos sociais e profissionais que levam a menor tempo de uso da(s) órtese(s).

 

11. Existem riscos ou complicações associadas a este método de tratamento?

Sim, a irritação cutânea e a hipercorreção.

Alguma irritação cutânea nos locais de pressão das almofadas normalmente acontece durante o tratamento. A intensidade desta irritação varia de paciente para paciente. Para se evitar uma irritação muito intensa, a órtese deve ser usada sobre uma camiseta de malha de algodão ou, deve-se usar, sobre as almofadas, capas de malha de algodão com elástico nas bordas para possibilitar trocas diárias por outras capas limpas.
Medicação tópica pode eventualmente ser necessária, mas nunca deve ser deixada sob as almofadas. Após um período de algumas horas de atuação da medicação, a oleosidade da mesma deve ser removida com um algodão embebido em álcool, antes de se colocar a órtese novamente. Eventuais marcas cutâneas somem com o tempo depois de findo o tratamento.

A hipercorreção, uma complicação séria, também pode acontecer durante o tratamento e deve ser controlada por uma supervisão médica adequada. A hipercorreção é mais comum no pectus carinatum, mas pode ocorrer também em casos de pectus excavatum flexíveis (veja artigo).

 

12. A musculação ou outras atividades físicas sem uso de órteses podem melhorar deformidades pectus?

Para adolescentes e adultos com deformidades pectus exercícios devem ser feitos somente em uso de órtese(s) CDT no tórax. Exercícios contra-resistência, como a musculação, feitos isoladamente, sem uso concomitante de um CDT, podem na realidade piorar e/ou tornar mais rígida uma deformidade pectus. O ganho de MASSA MUSCULAR apenas disfarça o problema e NÃO CORRIGE A  DEFORMIDADE dos ossos e cartilagens. MUSCULAÇÃO/ACADEMIA têm indicação para o portador de deformidade torácica ou pectus APENAS EM USO DA(S) ÓRTESE(S) CDT. Exercícios em Academia SEM o uso concomitante de uma órtese CDT podem ser prejudiciais para um portador de pectus carinatum e em nada contribuir para melhorar um pectus excavatum. Nosso objetivo NÃO É desenvolver músculos, mas sim aplicar forças balanceadas sobre a área deformada: as forças externas das órteses e a força interna dos exercícios, visando estimular a remodelação óssea. Um rápido e excessivo desenvolvimento dos músculos peitorais muitas vezes aumenta a aparência da depressão central de um pectus excavatum, além de torná-lo mais rígido, dificultando o tratamento pelo nosso método. Já quando os exercícios são feitos com o paciente usando uma órtese CDT corretamente confeccionada e bem adaptada, em muito contribuem para a remodelação dos ossos e cartilagens do tórax como um todo. As órteses CDT potencializam a ação dos exercícios sobre áreas deprimidas. A força externa, produzida de uma maneira gradual e dinâmica pelo CDT, combinada com a força interna oriunda dos exercícios, produz a remodelação gradual dos ossos e cartilagens do tórax. O CDT age sobre áreas protrusas/salientes e os exercícios sobre áreas de depressão. Os exercícios feitos com o paciente usando a órtese CDT também contribuem para ESTABILIZAR uma correção obtida, sendo esta a última etapa do tratamento: usar a órtese apenas para fazer os exercícios prescritos e discriminados pelo médico.

Para pacientes que não examinamos, a única atividade física que podemos indicar sem utilização de órtese é a natação. Embora a natação por si só não promova correção da deformidade pectus, ela habitualmente não aumenta a rigidez ou piora a condição da deformidade. Recomendamos a natação somente nos seguintes estilos: costas (50%), crawl (30%) e peito (20%). Aconselhamos evitar o estilo borboleta, pois, pela direção dos movimentos, acreditamos que possa contribuir para agravar uma deformidade pectus excavatum e/ou uma cifose dorsal exacerbada.

 

13. O CDT dificulta a respiração? Posso retira-lo para algumas atividades?

O CDT quando corretamente fabricado não interfere na respiração. Na verdade, temos observado que pacientes com problemas respiratórios, como asma, apresentam uma melhora da condição clínica com a remodelação de sua caixa torácica pelo método Dinâmico de Remodelação do tórax (CDT+exercícios). Mas lembre-se, qualquer objeto estranho junto ao corpo incomoda por algum tempo até que a pessoa se adapte a ele. Ajustes, consertos e até mesmo novo molde para troca de órtese, por uma maior e melhor adaptada ao formato do tórax à medida que ele se modifica no decorrer do tratamento, são normalmente necessários para maior conforto e progresso do processo terapêutico.

Deve-se retirar a órtese para o banho, natação e, eventualmente, na prática de alguns esportes que acarretem contato físico com o adversário, como o futebol, o basquete, etc. ou em ocasiões especiais. Porém, lembre-se de colocá-lo de volta tão logo termine estas atividades e de que quanto mais você o retira, além do tempo recomendado em cada etapa do tratamento, mais tempo durará o período total de tratamento. TENHA EM MENTE: A EXECUÇÃO DO TRATAMENTO É DE RESPONSABILIDADE DO PACIENTE, O MÉDICO SOMENTE DÁ AS INSTRUÇÕES BASEADO EM SUA EXPERIÊNCIA.

 

14. Qual o PROTOCOLO médico do tratamento pelo método Dinâmico de Remodelação do tórax?

A simples prescrição de uma órtese pelo médico e o uso dela sem regras pelo paciente não significam que uma deformidade pectus está sendo tratada. O seguinte PROTOCOLO de tratamento deve ser obedecido:

1. construir órteses CDT personalizadas, de acordo com o tipo da deformidade, a partir de molde de gesso prévio, sob supervisão médica e prescrição detalhada do tamanho e formato das almofadas;

2. explicar ao paciente que obediência às instruções é essencial, e que o tratamento é prolongado, com supervisão médica e liberação gradual da(s) órtese(s), durante UM, DOIS ou mais anos (o tempo total do tratamento depende da flexibilidade da deformidade e, principalmente, de como o paciente seguirá as instruções);

3. realizar e arquivar fotografias clínicas de ângulos similares, antes, durante e depois do tratamento;

4. fazer acompanhamento médico a cada dois, três ou quatro meses (eventualmente, pode ser feito acompanhamento por e-mail se houverem fotografias clínicas iniciais e dados do paciente arquivados);

5. fazer prescrição de ajustes na(s) órtese(s) ou confecção de nova(s) quando necessário;

6. prescrever exercícios, sempre simultaneamente ao uso da(s) órtese(s) CDT, objetivando não provocar uma hipertrofia muscular, mas sim gerar movimentos que resultem em aumento da pressão interna (intratorácica) sobre a parede torácica anterior;

7. realizar um trabalho interdisciplinar – médico (coordenador do processo), técnico em órtese e fisioterapeuta.

 

15. É possível o tratamento das deformidades pectus ser feito em outras clínicas e hospitais?

Acreditamos que sim, mas não é a simples compra de um aparelho que vai resolver o problema do paciente porque uma supervisão médica adequada é essencial. Infelizmente, nosso método de tratamento ainda não é muito bem compreendido por alguns médicos, principalmente para o pectus excavatum. Já vimos muitos casos de  pacientes que receberam órteses inapropriadas para tratamento. Eles simplesmente haviam recebido uma prescrição de órtese que o técnico construiu como quis e que vinha sendo usada sem documentação fotográfica prévia, sem regras e sem prática concomitante de exercícios.  É necessário que médicos e pacientes sigam nosso protocolo para êxito do tratamento (ver questão anterior). Ressaltamos que o uso de parafusos é fundamental; fitas de velcro  ou fechos laterais não funcionam como meio dinâmico de compressão. Lembramos também que a prescrição dos exercícios em uso da órtese deve obedecer ao estágio de maturação esquelética em que se encontra cada paciente.

Mais informações sobre este tópico podem ser encontradas na resposta da questão 4.

 

16. Gostaria de contar com sua experiência no tratamento, mas moro em outra cidade (ou país). como faço?

Necessitamos examinar o(a) paciente para melhor ajuda-lo(a). Já tratamos sem cirurgia centenas de pacientes que vieram de outros estados e até mesmo de outros países, como: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Costa Rica, Colômbia, Noruega, Espanha, Áustria, Finlândia, Israel, República Dominicana, Irlanda, Macedônia, Uruguai, Itália, Alemanha, Eslovênia, Portugal, Escócia, Japão, Argentina, Suécia, Dinamarca, Romênia, Peru, Malta, Hong Kong, Equador, Chile, China, México, Venezuela, Polônia, Paraguai, Tailândia e Coréia.

Para pacientes que não vivem em Brasília geralmente conseguimos que a órtese CDT seja feita em dois ou três dias, de forma que o paciente seja liberado o mais breve possível. Consultas podem ser marcadas preferencialmente pelos telefones (+5561) 34251408 ou 34251170 ou pelo email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

O ideal é que a primeira consulta ocorra numa segunda ou terça-feira, para que o paciente possa ser liberado até quarta ou quinta-feira. Sessões de exercícios fisioterápicos também devem ser pré-agendadas. As etapas iniciais do tratamento são as seguintes: 1. consulta inicial e, caso a opção seja por início imediato do tratamento, molde gessado da área afetada; 2. confecção da(s) órtese(s) com base no molde gessado e na prescrição médica detalhada, de acordo com a deformidade do paciente; 3. consulta de colocação da órtese com todas instruções quanto ao seu uso e prescrição de exercícios apropriados ao caso; 4. treinamento de exercícios terapêuticos em uso da órtese, com supervisão de fisioterapeutas treinadas para tal (uma lista dos exercícios é dada ao paciente); 5. revisões periódicas, se possível a cada dois ou três meses para o paciente que reside próximo. Para o paciente que iniciou o tratamento no Centro Clinico Orthopectus, mas não vive próximo, ou reside em outro país, instruções para manutenção adequada do tratamento podem ser fornecidas por email, até que possa retornar para revisão. Médicos do local de origem do paciente podem fazer um acompanhamento paralelo de sua evolução, pois estamos sempre às ordens para prestar esclarecimentos a colegas, desde que tenhamos examinado e documentado o caso previamente, visando evitar mudanças inadequadas de conduta médica.
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Nossa clínica pode providenciar informações necessárias a outros serviços, como indicação de hotel ou pousada em Brasília, através dos fones e e-mail acima citados. Informações sobre Brasília podem também ser encontradas nos sites www.geocities.com/augusto_areal//fotos.htm e www.brasiliaconvention.com.br. Fazemos questão que o paciente seja bem atendido
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Para interessados em receber nossos conhecimentos em sua cidade, oferecemos palestra de duas horas, em português ou em inglês, e curso de treinamento, com início de tratamento de pacientes. Tais atividades podem ser acertadas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.  ou pelo telefone +5561 91078158, com um mínimo de seis meses de antecedência. Para o treinamento prático, o serviço visitado deve oferecer oficina ortopédica, materiais e técnicos capacitados para a confecção das órteses.

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“NÃO VENDEMOS APARELHOS. OFERECEMOS UM MÉTODO DE TRATAMENTO.
A NATUREZA ORTOPÉDICA DAS DEFORMIDADES PECTUS PRECISA SER CONSIDERADA!”

 

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