Dr. Sydney A. Haje

Ortopedia Pediátrica e da Adolescência
Reabilitação de Adultos. 
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PERGUNTAS FREQÜENTES SOBRE DEFORMIDADES PECTUS,
CARINATUM AND EXCAVATUM, E RESPOSTAS DE DR. SYDNEY HAJE
 

1. COMO ESTE PROCEDIMENTO FUNCIONA? NÓS SEMPRE FOMOS INFORMADOS QUE A POSIÇÃO DA CAIXA TORÁCICA NÃO PODE SER ALTERADA SEM CIRURGIA, PORQUE PECTUS É UMA COMBINAÇÃO DE EXCESSO DE OSSO E CARTILAGEM INFUNDIDOS EM UM ESTADO SÓLIDO.

Nicolas Andry, o homem considerado o "Pai da Ortopedia", em seu livro L’orthopédie ou l’art de prev’enir et de corriger dans les enfants, les difformités du corps, publicado em Paris em 1741, observou que deformidades dos membros podiam ser corrigidas através de métodos conservadores de tratamento. Mais tarde, Julius Wolff descreveu aquilo que passou a ser aceito como uma lei na Ortopedia: "o tecido ósseo é uma estrutura dinâmica, que pode ser remodelada de acordo com as forças externas que atuam sobre o mesmo".

O que temos feito é utilizar estes conceitos para corrigir as deformidades pectus. Apesar de serem sólidos, osso e cartilagem são substâncias vivas que têm capacidade de remodelação. Quanto mais jovem o indivíduo, maior seu potencial de remodelação osteocartilaginosa, mas esta remodelação ocorre durante toda a vida. A ossificação endocondral e placas de crescimento no esterno e costelas são também conceitos que têm importante implicações para a abordagem correta das deformidades pectus. Temos prestado atenção ao fato de que ossos e cartilagens da parede torácica anterior também sofrem os efeitos da Lei de Wolff e que a presença de flexibilidade permite o uso de forças externas para melhorar ou curar uma deformidade pectus. Forças corretivas podem mudar a história de stress dos tecidos esqueléticos, alterando de forma benéfica os padrões subsequentes de crescimento e ossificação. Assim, utilizamos forças externas para modificar o crescimento e promover a remodelação de estruturas deformadas da parede torácica anterior. Tal opção terapêutica, baseada em princípios ortopédicos, tem sido provada e comprovada como efetiva em pacientes com deformidades flexíveis.
Assim, utilizamos a combinação de forças externas (órteses) e internas (aumento da pressão intratorácica, pelos exercícios em uso das órteses) para modificar o crescimento e promover a remodelação de estruturas deformadas da parede torácica anterior. Tal opção terapêutica, baseada em princípios ortopédicos, tem sido provada e comprovada como efetiva, principalmente em pacientes com deformidades flexíveis. Um exemplo desta remodelação é mostrada na Figura abaixo. A deformidade deste paciente aconteceu após cirurgia cardíaca aos 2 anos de idade (veja publicação na nossa secção Bibliografia). Ele foi tratado pelo nosso método – órtese + exercícios – dos 9 aos 17 anos de idade (1994 a 2002).

1994

Frente

Lado direito

Lado esquerdo
2002

Frente

Lado direito

Lado esquerdo
 

2. O QUE SÃO E O QUE CAUSA AS DEFORMIDADES PECTUS?

O termo pectus é internacionalmente usado para designar as deformidades da parede torácica anterior, deformidades estas popularmente conhecidas como "peito de pombo" (pectus carinatum) e "peito de sapateiro" (pectus excavatum). Elas são bastante freqüentes, mas permanecem escondidas da sociedade pela vergonha que seus portadores têm do aspecto de seu tórax. O efeito psicológico negativo sobre a pessoa portadora é muitas vezes devastador e este impacto nem sempre é relacionado com a extensão da deformidade. Na maioria das vezes não há instrução médica apropriada, pois é comum que jovens pacientes e seus pais recebam informações de que "isto é assim mesmo" ou de que apenas cirurgia resolveria o problema. O problema psicológico é muitas vezes transferido para os pais, que se sentem culpados pela deformidade de seu filho ou filha. Sentimentos de angústia e frustração são ampliados por orientações médicas equivocadas.

Com base em estudos clínicos e radiológicos de mais de 4000 pacientes, vistos desde 1977, e no desenvolvimento de um modelo experimental que resultou, pela primeira vez na história da medicina, em deformidades pectus em animais, concluímos que tais deformidades ocorrem devido a um crescimento desproporcional do esterno (osso da frente do tórax) e/ou dos arcos costais (costelas). Muitos fatores podem estar envolvidos em sua formação: hereditariedade, distúrbios respiratórios como asma, e desvios da coluna vertebral como cifoses torácicas exacerbadas e/ou escolioses. Problemas cardíacos podem eventualmente estar presentes.

 

3. DE QUE FORMAS ELAS PODEM OCORRER?

A imensa maioria das deformidades pectus é IDIOPÁTICA por natureza, isto é, ocorre sem uma patologia prévia, em crianças e adolescentes que têm uma boa condição de saúde geral. Temos notado duas outras formas de ocorrência: a PATOLÓGICA, que ocorre na presença de doenças que têm associação com distúrbios de crescimento de uma forma geral como Síndrome de Marfan, Displasias Ósseas, Raquitismo, Osteogenesis Imperfecta, etc, e a IATROGÊNICA, que pode acontecer após ação médica em cirurgia cardíaca pediátrica devido à lesão e ao desarranjo anatômico das placas de crescimento esternais. Algumas publicações médicas têm mencionado suturas no esterno, não ajudando na compreensão do crescimento da parede torácica anterior. Uma ossificação endocondral e placas de crescimento no esterno e arcos costais são conceitos que têm importantes implicações não apenas para a correta abordagem das deformidades pectus em crianças e adolescentes, mas também para prevenir uma deformidade iatrogênica.

 
4. COMO PODEM ESTAS DEFORMIDADES SER TRATADAS?

Nas décadas de 1950 e 1960 a literatura informava que a cirurgia era a única opção de se tratar estas deformidades, e que qualquer tentativa de tratamento conservador seria ineficaz. Questionamentos e críticas a resultados cirúrgicos passaram a surgir a partir da década de 1970, com descrições de complicações como diminuição da função pulmonar, cicatrizes extensas, quelóides, resultados ruins a longo prazo, e até mesmo morte, além de surgirem também críticas à multiplicidade de técnicas cirúrgicas existentes (+ de 40). Relatos de métodos conservadores começaram a aparecer a partir de 1969. Lange e Müller descreveram aparelhos ortopédicos ou órteses munidos de um cinturão envolvendo o tórax como eficazes em crianças de baixa idade. Apenas em 1993 Mielke e Winter, dos Estados Unidos, vieram a descrever um único caso de pectus carinatum tratado com sucesso, em uma adolescente, através de um colete gessado seguido de correias que envolviam o tórax.

Por outro lado, desde 1979 Haje e colaboradores vêm tendo vários trabalhos publicados em revistas médicas no Brasil e no exterior mostrando bons resultados com a utilização de uma órtese denominada Compressor Dinâmico de Tórax (CDT). Existem duas variações da órtese: O CDT I, que é normalmente utilizado para o pectus carinatum, e o CDT II, por nós criado em 1988 para o pectus excavatum. Associamos ao uso simultâneo da(s) órtese(s) a prática de exercícios contra-resistência ou contra-gravidade e que promovam um aumento da pressão intratorácica. Pode-se complementar a utilização de um CDT I com a utilização de um CDT II para os casos de pectus carinatum com componentes de depressão e saliência de rebordos costais, igualmente associando-se os exercícios. Denominamos este método de Método da Modelagem Dinâmica (MMD) ou método Dinâmico de Remodelação (método DR).

Nossa abordagem é, portanto, exclusivamente NÃO-CIRÚRGICA! As etapas iniciais do tratamento são as seguintes: 1. consulta inicial e, caso a opção seja por início imediato do tratamento, molde gessado da área afetada; 2. confecção da órtese com base no molde gessado e em prescrição detalhada, de acordo com a deformidade do paciente; 3. consulta de colocação da órtese com todas instruções quanto ao seu uso e prescrição de exercícios apropriados ao caso; 4. treinamento de exercícios terapêuticos em uso da órtese, com supervisão de fisioterapeutas treinadas para tal; 5. revisões periódicas, se possível a cada dois ou três meses; para pacientes que residem longe instruções são fornecidas sobre o que pode acontecer e o que deve ser feito para manutenção adequada do tratamento até que possa retornar para revisão.

 
5. QUAIS SÃO OS TIPOS DE DEFORMIDADES PECTUS?

Classificamos o Pectus Carinatum de acordo com o ápice da protrusão em três tipos básicos: Superior (PCS), Inferior (PCI) e Lateral (PCL). O Pectus Excavatum (deformidades com pura depressão esternal) é  classificado em tipos Amplo (PEA, ou do inglês "Wide", PEW) e Localizado (PEL). (Veja figura abaixo). Tipos MISTOS podem também ocorrer.


 
6. ESTA TÉCNICA PODE SER USADA PARA CORRIGIR QUALQUER SEVERIDADE DE PECTUS?

A FLEXIBILIDADE da parede torácica anterior é mais importante do que a severidade da deformidade para prognóstico do tratamento usando o nosso método. A avaliação da flexibilidade das deformidades pectus carinatum é feita pelo teste da compressão manual: a área protrusa do tórax é comprimida com a palma de uma das mãos, enquanto a coluna torácica é apoiada pela outra mão; se uma redução parcial ou completa é observada, a deformidade é considerada flexível. A avaliação da flexibilidade das deformidades pectus excavatum, é feita pelo teste de aumento da pressão intratorácica: com o paciente em pé, instrua-o a inspirar profundamente e, a seguir, simular um sopro sem deixar que o ar saia de seus pulmões; simultaneamente, o examinador faz compressão manual sobre as saliências dos rebordos costais antero-inferiores. Se uma melhora da depressão é notada, a deformidade é considerada flexível. O tratamento pode ser usado para corrigir, parcial ou totalmente, qualquer severidade de deformidade dependendo da flexibilidade, do uso correto da órtese, da execução rotineira dos exercícios, do seguimento das instruções e dos ajustes na órtese durante o tratamento. Não é o simples uso de uma órtese que melhora uma deformidade da parede torácica anterior e consolida a correção obtida; é o tratamento feito com uma avaliação inicial e supervisão médica experientes, pois pode levar muitos meses ou até mesmo anos para uma correção ser considerada estável.

 

7. PARA PECTUS CARINATUM (PCS, PCI e PCL) E DE ACORDO COM A IDADE DO PACIENTE, COMO VOCÊ PODE ESTIMAR RESULTADOS DO TRATAMENTO ORTÓTICO?

O PCS é um tipo menos comum e rígido de deformidade e normalmente só apresenta bons resultados quando o início do uso da órtese é feito na INFÂNCIA ou no começo da adolescência, épocas da vida em que a protrusão ainda pode apresentar alguma flexibilidade, dependendo do montante de cartilagem que ainda restar no esterno.

O PCI e o PCL são tipos flexíveis e normalmente podem ser tratados até o final do período de crescimento e até mesmo na vida adulta. Resultados EXCELENTES têm sido observados para estes dois tipos de carinatum flexíveis quando os pacientes seguem as instruções médicas do tratamento. Comumente recomendamos começar o tratamento ortótico para o PCI/PCL durante o pico de crescimento da ADOLESCÊNCIA (normalmente por volta dos 13 anos de idade), mas temos tratado até mesmo ADULTOS com flexibilidade residual de suas protrusões. Alguns destes pacientes adultos com PCI e PCL apresentaram melhora de suas deformidades. Vide exemplo de adulto em tratamento em Casos Tratados.

Um uso contínuo da órtese é recomendado no começo do tratamento, primeiros dois ou três meses para PCI e PCL flexíveis, quando normalmente se obtém a correção da protrusão, mas o tratamento não pode ser abruptamente descontinuado devido ao risco de recorrência. Correção de áreas de depressão dos arcos costais pode levar mais tempo, geralmente de um a dois anos. A descontinuidade do uso da órtese deve ser feita gradualmente, de acordo com o estágio do tratamento, sob supervisão médica. À medida que uma correção estável é observada, a quantidade de horas diárias de uso pode ser diminuída. Se o paciente já estiver acostumado a dormir com o CDT, ele pode decidir se prefere usa-lo durante o dia ou à noite. A responsabilidade de um tratamento bem sucedido em um prazo menor ou maior de tempo também depende do paciente.

O montante de cartilagem no esterno (placas de crescimento abertas), a idade óssea do paciente e o teste da compressão manual são importantes para a indicação e o prognóstico do tratamento. Quanto mais velho o paciente, mais difícil de tolerar o uso do CDT I. Por outro lado, crianças muito novas com PCI e PCL toleram bem a órtese, mas devem receber prescrição de tratamento apenas quando a deformidade for severa e/ou associada com asma ou outro distúrbio respiratório. À medida que a correção da deformidade da caixa torácica é obtida, uma melhora simultânea da condição respiratória é normalmente observada nestes casos. Pais de crianças pequenas devem ser advertidos quanto a uma eventual recorrência e necessidade de repetir o tratamento durante a adolescência. Se a criança tem uma protrusão flexível e ele/ela não se encontra ainda no pico de crescimento da adolescência, recomendamos aguardar um pouco mais antes de começar o tratamento ortótico. Se a correção é obtida numa fase precoce da vida e a deformidade retornar, o paciente pode rejeitar se submeter a novo uso da órtese. Além disso, A REMODELAÇÂO ÓSSEA DA CAIXA TORÁCICA QUE ACONTECER DURANTE O PICO DE CRESCIMENTO DA ADOLESCÊNCIA SE MANTERÁ POR TODA A VIDA.

 

8. PARA O PECTUS EXCAVATUM (PEW ou PEA, e PEL) E DE ACORDO COM A IDADE DO PACIENTE, COMO VOCÊ PODE ESTIMAR RESULTADOS DO TRATAMENTO ORTÓTICO?

Há necessidade de se fazer o teste de aumento da pressão intratorácica para checar se a deformidade é flexível. Se for, ela pode ser tratada pelo MMD.

Para CRIANÇAS com pectus excavatum apenas a natação no estilo costas e o sopro de balões de borracha são recomendadas para manutenção da flexibilidade da parte anterior do tórax. Para CRIANÇAS MAIS NOVAS aprenderem a soprar balões, recomendamos aos pais ensiná-los a soprar líquido com um canudinho para fazer bolhas, 15 minutos ao dia. Acompanhamos um bebê que nasceu com uma grande deformidade pectus excavatum e depois de 9 anos seguindo nossas recomendações, apresentou a total correção da deformidade sem precisar fazer uso do aparelho. A manutenção da flexibilidade da parede torácica anterior de uma criança com pectus é importante para o sucesso do tratamento ortótico durante a adolescência. A presença de rebordos costais bem salientes pode eventualmente ser indicação para início do tratamento ortótico em crianças um pouco mais velhas.

Durante a ADOLESCÊNCIA, exercícios que aumentam a pressão intratorácica, em um aparelho conhecido como "crucifixo" ou "peck deck", encontrado em academias de musculação, devem ser feitos EM USO do CDT II. Estes exercícios são feitos com os cotovelos elevados ao nível dos ombros e os antebraços e mãos em posição vertical. O paciente empurra os cotovelos para a linha média, contra a resistência do aparelho. Um movimento do esterno para frente é normalmente observado. Estes exercícios, feitos simultaneamente com o uso do CDT, objetivam correção gradual de áreas de depressão esternal e costal. Na adolescência a remodelação da parede torácica anterior ocorre de modo que se mantém por toda a vida. Adultos normalmente têm a parede torácica anterior rígida por isso, qualquer utilização de órtese na idade adulta deve ser encarada como uma condição experimental. Eventual sucesso do tratamento vai depender da presença de flexibilidade residual da parede torácica anterior e da tolerância e persistência para utilização da órtese. As saliências de rebordos costais apresentam correção total e a depressão central apresenta correção parcial. Um paciente de 49 anos com PEL se submeteu ao tratamento por mais de 18 meses obteve um surpreendente bom resultado. Ele descreveu o tratamento como uma dolorosa transformação que o fez sentir nascendo de novo (Vide suas fotos pré é pós-tratamento na seção Casos Tratados). Assim, o método pode eventualmente funcionar para adultos apesar do sacrifício de usar a órtese como recomendado.

 

9. POR QUE VOCÊ DESENCORAJA O TRATAMENTO CIRÚRGICO DAS DEFORMIDADES PECTUS DURANTE O PERÍODO DE CRESCIMENTO?

A respeito de cirurgia durante o período de crescimento, são encontrados os seguintes relatos na literatura médica: "Mais de 40 técnicas operatórias diferentes têm sido descritas para o pectus excavatum" (Isakov et al) "indicando que o método ideal ainda não foi descoberto" (Haje). "As técnicas operatórias são controversas e um resultado perfeito não é obtido, qualquer que seja a técnica" (Heydorn et al). "Cirurgiões que reconhecem o aumento de resultados ruins à medida que seus pacientes ficam mais velhos tendem a abandonar a técnica que usaram e a procurar uma melhor" (Humphreys and Jaretzki). "Maus resultados ocorrem em crianças que são operadas antes dos 12 anos de idade" (Milovic and Oluic), e "resultados ruins a longo prazo" (Humphreys and Jaretzki) "têm sido relatados sem qualquer explicação do porquê destes maus resultados. Não se encontra na bibliografia atual da cirurgia torácica nenhuma referência às placas de crescimento do esterno e às cartilagens costais, e as operações podem estar produzindo distúrbios de crescimento secundários" (Haje). E muitos outros relatos de complicações operatórias também existem na literatura, incluindo uma diminuição da função pulmonar.

O procedimento conservador para as deformidades pectus é uma opção única de tratamento para se evitar a cirurgia, e bons resultados são observados principalmente, mas não apenas, durante o período de crescimento. Temos firme convicção de poder melhor ajudar crianças e adolescentes com estas condições clínicas, dando a elas a oportunidade de primeiro tentar o método conservador baseado em princípios ortopédicos e de reabilitação (Compressor Dinâmico de Tórax + exercícios). O suporte biológico para esta conduta conservadora pode ser encontrado nos artigos médicos que publicamos sobre este assunto (ver bibliografia). Para pacientes que já foram submetido a tratamento cirúrgico e tiveram recorrência, nosso método pode ainda ajudar, desde que corretamente aplicado.

Exemplos de resultados cirúrgicos a longo prazo:

   Adolescente após um ano de cirurgia osteocartilaginosa corretiva para pectus excavatum. Observe a cicatriz longitudinal.

Total recorrência aconteceu após poucos meses.

Adulto de 42 anos de idade, cinco anos após cirurgia plástica para correção de pectus excavatum. Aspecto do tórax após remoção de silicone subcutâneo.

  

Nota: Os resultados acima não expressam os resultados de todas as cirurgias. São exemplos de algo que pode acontecer.

 

10. O que pode ser feito se o paciente com pectus tem também uma escoliose (uma curvatura lateral) da coluna?

Quando a escoliose é discreta, por vezes o simples uso do CDT ajuda. Quando ela é moderada, com uma curva acima de 20º, nós associamos um colete apropriado para o caso. Normalmente, nestes casos, recomendamos uso do CDT de 4 a 6 horas por dia com execução dos exercícios neste período, e uso do colete para coluna o restante do dia. O colete para escoliose que mais freqüentemente utilizamos é um colete inclinado, feito após molde gessado (vide exemplo abaixo).



 

11. EXISTEM RISCOS OU COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS A ESTE TRATAMENTO?

Sim. Irritação cutânea nos locais de pressão das almofadas normalmente acontece durante o tratamento. A intensidade desta irritação varia de paciente para paciente. Para se evitar uma irritação muito intensa, a órtese deve ser usada sobre uma camiseta de malha de algodão ou,   deve-se usar, sobre as almofadas, capas de malha de algodão com elástico nas bordas para possibilitar trocas diárias por outras capas limpas. Medicação tópica pode eventualmente ser necessária, mas nunca deve ser deixada sob as almofadas. Após um período de algumas horas de atuação da medicação, a oleosidade da mesma deve ser removida com um algodão embebido em álcool. Eventuais marcas cutâneas somem com o tempo depois de findo o tratamento. Hipercorreção também pode acontecer durante o tratamento e deve ser controlada por uma supervisão médica adequada. A hipercorreção é mais comum no pectus carinatum e raramente acontece no pectus excavatum. Para uma melhor compreensão desta eventual complicação sugerimos aos médicos a leitura de nosso artigo científico: Haje SA, Haje DP (2006) Overcorrection during treatment of pectus deformities with DCC orthoses: experience in 17 cases. International Orthopaedics (SICOT). Para ver o resumo deste artigo acesse http://www.springerlink.com  (e procure por: pectus+haje). O artigo pode ser requerido online à editora. Orientação escrita sobre o tratamento e suas possíveis complicações deve ser fornecida pelo médico ao paciente na consulta de colocação da órtese.

 

12. É POSSÍVEL PARA PACIENTES QUE MORAM LONGE DE BRASÍLIA, OU EM OUTROS PAÍSES, TER SEUS PRINCÍPIOS APLICADOS E COMPRAR APARELHOS SEMELHANTES AOS QUE VOCÊ USA PARA TRATAR SUAS DEFORMIDADES PECTUS?

Acredito que sim, mas não é a simples compra de um aparelho que vai resolver o problema do paciente porque uma supervisão médica adequada é essencial. Porém, nosso método de tratamento, baseado em princípios ortopédicos, através do uso da órtese (aparelho ortopédico) Compressor Dinâmico de Tórax (CDT) + exercícios ainda não é muito bem compreendido por alguns médicos, principalmente para o pectus excavatum. Em congressos nacionais e internacionais que participo, tenho escutado de alguns colegas médicos que eles têm aplicado nosso método para o pectus carinatum, mas não para o pectus excavatum e, com alguma exceção, não sentimos segurança por parte do médico-assistente na condução do tratamento. Como os resultados para as deformidades em excavatum (e também para as em carinatum com componentes de depressão) não são imediatos e demandam experiência do médico-assistente para conduzir o tratamento, algumas vezes por um longo período de tempo, acredito que muitos anos ainda vão ser necessários para ter este método definitivamente compreendido e incorporado à prática médica.

Além disso, o CDT é uma órtese que precisa ser fabricada de acordo com a deformidade de cada indivíduo para se ter sucesso no tratamento. Por isso, sempre fazemos um molde em gesso do tórax do paciente para a fabricação de uma órtese que se adapte corretamente. As almofadas anteriores do DCC precisam ser exatamente como as mostrados em exemplos de casos tratados deste site; a almofada posterior deve ter um formato em cruz (no caso do CDT I) ou retangular (no caso do CDT II), com cantos arredondados, e deve ser afixada na superfície interna da haste posterior e localizada sobre a coluna e musculatura paravertebral. O uso de parafusos é fundamental; fitas de velcro não funcionam como meio dinâmico de compressão. A prescrição dos exercícios em uso da órtese deve obedecer ao estágio de maturação esquelética em que se encontra cada paciente.

Podemos melhor ajudar pacientes portadores de deformidades pectus depois de examiná-los pessoalmente. Ajustes, consertos e alterações na órtese são muitas vezes necessários no decorrer do tratamento. Após uma primeira visita ao Centro Clínico ORTHOPECTUS, uma lista por escrito de alguns possíveis ajustes é fornecida e instruções podem ser dadas por e-mail ao paciente que eventualmente não puder retornar para revisão na periodicidade recomendada.

 

13. QUE INFORMAÇÕES PODEM SER FORNECIDAS A RESPEITO DO SUCESSO DE SEU MÉTODO E COMPARAÇÃO DE RESULTADOS ENTRE O TRATAMENTO COM ÓRTESES E O CIRÚRGICO?

O percentual de sucesso depende do seguimento do paciente às instruçoes recebidas para um uso correto da órtese e execução dos exercícios. Todos os casos de carinatum flexíveis (PCI e PCL) tratados na idade apropriada da adolescência, que seguiram as instruções quanto ao uso da órtese, apresentaram um resultado bom ou excelente. Bons resultados são também observados para os outros tipos de deformidades tratados nas mesmas condições.

Não conhecemos estudos estatísticos quanto a comparação de resultados do tratamento ortótico com o cirúrgico.  Depoimento de paciente (vide seção Testemunhos) ilustra como a utilização correta de nosso método conservador pode resolver ou melhorar um pectus excavatum até mesmo na idade adulta, ou então servir como importante preparativo que venha a favorecer o resultado de uma eventual intervenção cirúrgica.

 

14. POSSO TIRAR O CDT PARA ALGUMAS ATIVIDADES?

Sim, deve-se tirá-lo para o banho, natação e, eventualmente, na prática de alguns esportes que acarretem contato físico com o adversário, como o futebol, o basquete, etc. ou em ocasiões especiais. Porém, lembre-se de colocá-lo de volta tão logo termine estas atividades e de que quanto mais você o tira, além do tempo recomendado em cada etapa do tratamento, mais tempo durará o período total de tratamento. TENHA EM MENTE: A EXECUÇÃO DO TRATAMENTO É DE RESPONSABILIDADE DO PACIENTE, O MÉDICO SOMENTE DÁ AS INSTRUÇÕES BASEADO EM SUA EXPERIÊNCIA.

 

15. QUANTO TEMPO LEVA PARA A CORREÇÃO DAS DEPRESSÕES DAS COSTELAS, LATERAIS AO ESTERNO?

As depressões levam mais tempo para serem corrigidas, de dois a três anos. Exercícios regulares devem ser feitos em uso da órtese para sua melhor correção.

 

16. O CDT DIFICULTA A RESPIRAÇÃO?

Não, de maneira alguma! O CDT quando corretamente fabricado não interfere na respiração. Na verdade, temos observado que pacientes com problemas respiratórios, como asma, apresentam uma melhora da condição clínica com a remodelação de sua caixa torácica pelo tratamento ortótico.

Mas lembre-se, qualquer objeto estranho junto ao corpo incomoda por algum tempo até que a pessoa se adapte a ele. Ajustes e consertos no decorrer do tratamento são normalmente necessários para maior conforto e eficiência.

 

17. GOSTARIA DE CONTAR COM SUA EXPERÊNCIA NO TRATAMENTO, MAS MORO EM OUTRA CIDADE (OU PAÍS). COMO FAÇO?

Para pacientes que não vivem em Brasília geralmente conseguimos que a órtese CDT seja feita em dois ou três dias, de forma que o paciente seja liberado o mais breve possível. Consultas podem ser marcadas preferencialmente pelos telefones (061) 3425-1408 ou 3425-1170.

Hoje em dia não é complicado para a maioria das pessoas viajar, seja de carro, ônibus ou avião, para fazer um tratamento médico, podendo além disto fazer algum turismo e ter momentos de lazer. Já tratamos sem cirurgia centenas de pacientes que vieram de outros estados e até mesmo de outros países, como Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Costa Rica, Colômbia, Noruega, Espanha, Áustria, Finlândia, Israel, República Dominicana, Irlanda, Macedônia, Uruguai, Itália, Alemanha, Eslovênia, Portugal, Escócia, Japão, Argentina, Suécia, Dinamarca, Romênia, Peru, Malta, Hong Kong, Equador, Chile, China, México, Venezuela e Polônia. Nossa clínica pode providenciar informações necessárias e outros serviços, como reserva de hotel em Brasília e transporte, através do e-mail clinica@orthopectus.com.br. Informações sobre Brasília podem também ser encontradas nos sites www.geocities.com/augusto_areal//fotos.htm e www.brasiliaconvention.com.br. Uma de nossas pacientes estrangeiras, uma jovem chinesa residente no Canadá, que veio ao Brasil sozinha apenas para se tratar, comentou sobre as facilidades de sua estadia em Brasília e seu atendimento médico resolvido em poucos dias, além dos serviços adicionais providenciados por nossa clínica, como motorista que fala inglês. Outro paciente, procedente da Inglaterra, mostrou satisfação pelo fato de ter podido conhecer Brasília e a medicina aqui desenvolvida.

Para serviços médicos de outros estados ou países, oferecemos palestra de duas horas, em português ou em inglês. Um curso prático pode também ser ministrado visando o treinamento de médicos, técnicos em órteses e fisioterapeutas, com início do tratamento e acompanhamento de pacientes do serviço visitado durante quatro ou cinco dias. No caso de desejar o curso prático, o serviço visitado deve oferecer oficina ortopédica, materiais e técnicos capacitados para a confecção das órteses. Detalhes para a palestra e para o curso prático devem ser acertados pelo e-mail clinica@orthopectus.com.br ou pelo telefone (61) 9107-8158, com um mínimo de seis meses de antecedência.

 

 

"NÓS NÃO VENDEMOS APARELHOS. NÓS OFERECEMOS UM MÉTODO DE TRATAMENTO! A NATUREZA ORTOPÉDICA DAS DEFORMIDADES PECTUS PRECISA SER CONSIDERADA!"